A Arqueologia em Monte Alto
Os artefatos expostos no Museu fazem parte dos achados arqueológicos e das escavações realizadas na década de 1990. Eles nos ajudam a compreender o modo de vida desses grupos indígenas. Sua subsistência era baseada principalmente na horticultura, complementada pela caça, coleta e, em menor escala, pela pesca. As peças também indicam a realização de rituais e ritos fúnebres, além de revelarem aspectos da identidade étnica e da divisão de funções dentro da sociedade.
Por comparação com povos indígenas atuais, entende-se que as mulheres eram responsáveis pela produção da cerâmica, pelo cuidado com os filhos e pelo preparo dos alimentos. Já os homens se dedicavam à caça, à pesca, à confecção de artefatos líticos que eram feitos em pedra lascada e polida, além de à defesa do grupo.
Na escala local, a área ocupada pelos Kaingang no sítio Água Limpa situa-se em um vale da Serra do Jaboticabal, em um interflúvio entre os córregos Água Limpa e Santa Luzia, ambos pertencentes à bacia do rio da Onça.
A Serra do Jaboticabal forneceu uma variedade de minerais e rochas que foram utilizados na confecção de instrumentos destinados à caça, ao processamento de grãos e à defesa do grupo. O barro extraído das margens de córregos, ribeirões e rios do território ocupado pelos Kaingang foi empregado na produção de vasilhames, urnas e recipientes destinados ao armazenamento de sementes e grãos, ao acondicionamento de líquidos, ao preparo de alimentos e aos enterramentos secundários dos mortos.